Ambientado por volta de 1630 na
região de New England, nos Estados Unidos, o primeiro longa do diretor
americano Robert Eggers apresenta o cotidiano breve de uma família puritana no
início de uma nova vida no interior da colônia após serem expulsos de sua
comunidade.
A sequência que abre o filme apresenta o julgamento da família protagonista pela Igreja (Anglicana). Os motivos não são explicitamente apresentados, porém, o pai da família, William (Ralph Ineson) diz que “não será julgado por falsos cristãos” e que só o que fez foi “seguir o evangelho”, e é a partir desta fala que somos apresentados aos ideais puritanos presentes na constituição ideal da família de William. De qualquer maneira o julgamento conclui no banimento da família composta por William, Katherine (Kate Dickie), a mãe, e seus cinco filhos, que se mudam para uma região aparentemente inabitada em meio a uma floresta densa.
É importante notar que a família
inglesa apresentada no filme e mesmo os membros da igreja que os baniram
compõem um movimento imigratório para os EUA do início do século XVII, do qual
ocorreu após anos de tensões religiosas com a Igreja Anglicana inglesa. Na
América colonial, estes puritanos encontrariam uma terra livre das pressões da
Igreja e poderiam praticar seus ideais. A maioria se estabeleceu nas colônias
ao norte, especialmente em New England.
Em meio as cenas de suspense e
trilhas sonoras assustadoras, somos apresentados aos personagens e aos ideais
de “bem”, “mal”, “medo”, “natureza”, “corrupção” e “pecado” que percorrem o imaginário
da família. Todos os acontecimentos no decorrer do filme, a começar pelo
desaparecimento do filho mais novo Samuel, são atribuídos a questões de moral
culpabilizados a um personagem, especialmente Thomasin (Anya Taylor‑Joy), a
filha mais velha que cuidava do bebê quando desapareceu e a suposta existência
de uma Bruxa que vive na floresta. O paralelo entre a “Bruxa” e Thomasin marca
uma interpretação bastante significativa para a composição do filme, pois
apresenta como o ideal puritano de sexo e pecado sobre a mulher resulta na
responsabilização de Thomasin, que é vista pela mãe (que não sabe sobre a
existência real da Bruxa) como a receptora e causa do mal. Alguém deve ser
responsável pelo mal, a Bruxa, Thomasin ou até mesmo o bode, Black Phillip.
Em conclusão, o medo é um elemento
essencial ao filme, não apenas pelo gênero em que se encaixa, mas também como
guia das reações de toda a família em relação a sequência de acontecimentos. O
diretor apresenta o medo e a necessidade de explicação moral (dentro do
“natural” regido pelo evangelho) como características de uma crença da qual
constitui a sociedade colonial contextualizada pelo filme, desta maneira a
presença do protestantismo puritano apresentado compõe a construção das bases
do ideal de “América” que se desenvolveu culturalmente a partir do século XVII.



Must see.
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