A Era de Ouro da animação americana


Primeiro cartaz de filme do Mickey Mouse, 1928.

A Era de Ouro da animação americana foi um fenômeno estadunidense que se deu entre 1928 e meados da década de 1940, estendendo-se até os anos 60 com características distintas. Em pouco mais de quarenta anos, grandes artistas deram vida a personagens clássicos e queridos pelo público até hoje, como O Gato Félix, Pato Donald, Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Marvin o Marciano, O Marinheiro Popeye, Betty Boop, Pica-Pau, Picolino, Mr. Magoo, Tom e Jerry, e figurinhas memoráveis da Disney - dentre estas estão Bambi, Dumbo e o próprio Mickey Mouse

Helen Kane, atriz-inspiração do cartunista Grim Natwick para Betty Boop, comparada com a própria personagem (revista Photoplay, 1932). Ou Betty Boop seria Baby Esther?

A proximidade entre o ano de começo da Era de Ouro e o da Grande Depressão (1929) não é mera coincidência: é possível afirmar que, nesse momento, as cores fortes, os tipos felizes e as músicas alegres contidas nas histórias animadas, além de fazerem a economia do entretenimento girar, serviram de consolo a homens e mulheres atingidos pela cinzenta e silenciosa crise econômica.


Quem tem medo do lobo mau da pobreza?

O período que se estende de 1935 a 1945 é conhecido por pesquisadores como o pico da Era de Ouro. Nessa época, os desenhos passaram por um rápido expressivo desenvolvimento técnico e estético, destoando do ritmo de produção europeu, com adição de som e cores, por exemplo. Os curtas lançados eram úteis para experimentar as novidades, servindo de termômetro e preparando o público para os longas-metragens subsequentes. Além da já citada potência Disney, outros grandes estúdios fizeram parte da empreitada, como Leon Schlesinger Productions (a antiga Warner Bros.), Paramount PicturesUniversal Pictures, United Productions of America e Metro-Goldwyn-Mayer. 





Branca de Neve e os sete anões (Disney, 1937).


Todas as animações da Era de Ouro eram produzidas quadro-a-quadro e, de início, transmitidas apenas em cinemas; é justamente o fim desse costume que marca o final da era dourada, na década de 1940, quando essa mídia foi absorvida pela televisão, exigindo mudanças como reutilização de quadros e animação parcial das personagens, ou mesmo ausência de animação. Nesse último caso, realocava-se o foco de movimento para o cenário, ou utilizava-se mais frequentemente recursos como sons e falas; tudo para acelerar o processo de produção (arriba-arriba!), a fim de suprir o aumento da demanda por desenhos. O estilo aloprado e nonsense fazia oposição direta ao ideal exemplar maniqueísta Disney de animação, e relacionava-se ao contexto acelerado do pós-Segunda Guerra Mundial. Também nesse período as produções para televisão foram voltadas ao público infantil, aliviando os pais atarefados de maneira segura.




United Productions of America vs. Disney, ou animação limitada vs. realismo.

Os criadores que alcançaram mais sucesso nessa fase foram William Hanna e Joseph Barbera, artistas da MGM que posteriormente (1957) fundaram seu próprio estúdio, o Hanna-Barbera. O sistema Hanna-Barbera de produção e estilo é apontado por especialistas como o mais eficiente para o momento referido.


Figurinhas famosas de Hanna-Barbera.

Após uma fase de decadência (no que se refere a técnica, qualidade de roteiro e novas ideias de personagens), ao final dos anos 80, com a presença do computador, há o início do que ficou conhecido como o Renascimento da Animação Americana, quando foram criados DuckTales e Tiny Toon Adventures (retomando os Looney Tunes). A informática possibilitou redução no esforço de criação das animações, avolumando ainda mais a produção e gerando canais específicos para desenhos animados. Também são expoentes dos anos 1990 Os Simpsons, South Park e Beavis and Butt-head, sem contar os longas-metragens já consagrados pelo público. São muitos!

Toy Story (originado de 1995), uma franquia que emociona os mais novos e os mais velhos.


Ficamos por aqui! 

Iiiisso é tudo, pe-pe-pe-pe-pe-pessoal!

Referências:

PINNA, Daniel Moreira de Sousa. A evolução das personagens animadas junto à indústria do entretenimento. In: Animadas Personagens Brasileiras: a linguagem visual das personagens do cinema de animação contemporâneo brasileiro. Tese (Doutorado). PUC-Rio, 2006. Disponível em: < https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=9582@1>.  Acesso em: 11 mai 2019.

Para mais:

Mickey Mouse poster from 1928 sells for $101,000 in US
Helen Kane, a musa que inspirou Betty Boop
Seria Betty Boop Baby Esther?
Para conhecer Popeye a fundo
A técnica de filmagem quadro-a-quadro
A História da Animação: das telonas para a telinha
A evolução das personagens animadas junto à indústria do entretenimento
Sobre a história da animação brasileira


Comentários

  1. Muito bom post. Curti as indicações ao final, também!
    Só não entendi muito bem de onde vieram as citações colocadas no post com páginas de referência.

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  2. Ahhh, quando você clica na citação ela te direciona para o texto. Legal, mas acho que o autor e o nome do texto poderiam ter sido mencionados no post :)

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